sábado, 31 de agosto de 2013

QUITINETE E APARTAMENTÃO



Sábado, 31 de agosto de 2013.

Aniversário da vovó. O presente foi compartilhado, segundo suas palavras. Eu diria que foi coletivo. Há muito nossa família precisava de alegria, e não há nenhuma melhor que um bebê (dois então, uau!). Cada bebê que nasce é uma luz do amor de Cristo que se acende no coração da humanidade.

Após muita babação, guloseimas e azeite no Massapê – tipo de solo da minha cidade natal, Santo Amaro da Purificação, que uso como apelido carinhoso para reverenciar minha terra amada – voltamos a Salvador para mais babação, guloseimas e azeite. Família toda reunida (toda significa a parte que é possível e importante) na casa de voinha, para parabenizar duplamente a aniversariante e avó. A bisa, radiante, não conseguia esconder o brilho nos olhos, embora denominasse a si mesma de insensível e acusar-se de não saber demonstrar as alegrias. Se ela soubesse... seu corpo fala por si só, e diz que toda a dor que tem vivido não conseguiu apagar a chama de vida que carrega dentro de si. Oxalá possam essas crianças que estão chegando herdar e/ou aprender pelo menos metade da sua força e resignação!

Jogo pela TV a cabo na sala, bate-papo na cozinha, as crianças veem vindo. O primeiro a chegar foi José, não o do Egito, mas o que lhe homenageia. Daquele, meus parcos conhecimentos bíblicos nada me permitem dizer. Desse, obrigo-me a comentar: o bebê mais risonho que já conheci! Em sua profusão de babas e mordedores, dedos e mãos, os sorrisos desdentados mais gostosos que já recebi! E o guri estava na minha intenção; parecia hipnotizado, com lindos olhos de jabuticaba a me acompanhar em todos os movimentos e vozes e gestos. Aí, quem baba sou eu!

Logo depois chega Letícia, que veio conhecer os priminhos ou priminhas (ou priminho, ou priminha... ah, acho que será um casal, então por ora ficamos com priminhos). Num emocionante abraço de barrigas, lá vão eles se identificando, se reconhecendo... Letícia, de seu apartamentão estilo mansão do Jardim Apipema, cumprimenta os grãozinhos de linhaça aos quais um dia chamará de primos, espremidinhos numa quitinete estúdio que já já vai virar uma casa GANDRONA, como diria meu amigo Brendo, que mora ao nosso lado no Massapê e está nos deixando, já roxos de saudade. Ele vai morar numa casa “alta”, em cima da casa da tia que tem um montão de jogo no celular, e que, com certeza, vai precisar ser substituído por outro em dois tempos, pois o seu passará a outro dono que eu desconfio levemente quem seja.

Tenho medo que ele nos esqueça, embora creia bem sinceramente que isso não ocorrerá. Na verdade, bem bem bem sinceramente, não sei se essa crença é crença mesmo ou é vontade de perpetuar uma amizade tão pura e tão verdadeira que não só me ajudou a me entender com minha infância perdida como nos ensinou a todos o que é, na prática, tornar-se responsável pelo que cativa. Isso tudo, do alto dos seus 3 anos, à época em que nos conhecemos. Eu, cá nos meus míseros 37, venho me debatendo há cerca de um ano para compreender o que os adultos querem dizer quando chamam alguém de AMIGO. Embora às vezes fique fraco, quando machuca o dedo na “mánica”, e às vezes durma de medo, Brendo é o meu Ben10 forte!

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