Domingo, 1° de setembro de 2013.
Shopping tupiniquim é assim. A gente sai de casa para
pegar o shopping abrindo ao meio-dia e meia de um domingo, mas hoje só
funcionam a praça de alimentação, o cinema – se é que se pode chamar de cinema
– e as Lojas Americanas. Apesar de frustrante, um tanto curioso: por que só as
Americanas? Será que tá rolando promoção? Ôooo tentação! Aquieta, o foco é
outro.
Segundo shopping, de grande porte, mas não menos
tupiniquim: até que abre aos domingos, mas só a partir da 14h. Antes disso, as
pessoas não compram, só comem. Resolvemos aproveitar o solão inaugural de
setembro depois de tantos dias nublados e/ou chuvosos de agosto até abrir o
shopping às compras. Além do mais, uma água de coco na Orla custa menos do que
um litro de combustível – no bolso, no corpo e no planeta.
Foi só voltar ao shopping para lembrar que esquecemos
de perguntar se as 14h eram de paulista ou de baiano, mas mainha conseguiu
superar o aborrecimento e a fome por ter que esperar mais meia hora até que a loja abrisse. [CONTEÚDO SUPRIMIDO PARA POSTERIOR INCLUSÃO]
Mas voltando à nossa meia hora, gastas nas Americanas,
que não estavam assim numa promoçÃaaao, mas até que tinha boas ofertas. Não
conseguimos encontrar uma calça de moletom que meu avô está querendo para
passar o frio que lhe arrebata nos últimos meses e que o faz ficar trancado
dentro de casa fazendo-nos resistir à tentação de nunca mais na vida visitá-lo.
A vantagem é que a gente já vai treinando nossa claustrofobia para quando
enfrentar o caixão e a sepultura for inevitável. Deus me livre, é por isso que
quero ser cremada! Claro, não só por isso, mas para poder ver a minha vida se
multiplicar na de outras tantas pessoas que venham a receber meus órgãos e
tecidos; para evitar que quem me ama tenha um pretexto de cultivar a própria
dor indo ao cemitério chorar por alguém que já não está ali, nem mesmo em
corpo; e, lógico, porque pensar em mim mesma de braços cruzados sobre o tórax
trancafiada entre quatro pedaços de madeira e mais quatro de concreto não me
parece uma imagem muito alentadora. Não é igualmente alentador dar um moletom
branco a um ser humano que vive na Bahia e só toma um banho por dia, quer
dizer, por noite, na hora de dormir – quando toma! O moletom fica pra outro
dia.
Mas as roupinhas de bebê... aimeudeus! O que acontece
com a gente quando sabe que vai chegar uma coisinha pequena, rosada e gostosa
tão perto da gente, hein?! Eu nunca consegui entender. Na verdade, ainda não
consigo, mas o danado do vírus já me pegou. Duas retardadas, eu e minha mãe,
querendo levar a loja toda nas costas. Gritos histéricos e pulinhos infantis a
cada nova peça cor bebê (amarelo bebê, rosa bebê, azul bebê, verde bebê)
descoberta em promoção, por uma bagatela – ainda que o tecido não cobrisse meio
braço nosso! Eu, que nunca fui uma compradora contumaz, ao contrário, sempre
controlei os impulsos alheios para que não se rendessem às imposições
capitalistas do mercado de consumo (papo cabeça – blargh!), me pego
compulsivamente colecionando cabides, um após o outros, de roupinhas de bebê.
Quanto mais que são vários: Letícia, Álvaro Neto, e talvez os gêmeos Paulo Neto
e Carolina, que me olharão com olhinhos de jabuticaba e balbuciarão “Titi”...
aaaaaaaaaaaaaaai que a titia vai ficar doidinha!!!

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